A Fortiori Consultoria em Psicologia oferece a oportunidade de atividade prática na clínica ampliada, podendo contar com a clientela assegurada e a garantia de supervisões. Os atendimentos oferecidos para a comunidade, por essa instituição, resultam de uma proposta comprometida com a realidade brasileira.
Seus supervisores fazem parte da equipe de profissionais desta consultoria, previamente selecionados de acordo com seu currículo e percurso profissional estando habilitados como supervisores altamente qualificados, capazes de propiciar aos egressos da graduação de Psicologia uma oportunidade de aprofundar e aprimorar a prática clínica contextualizada junto com estudo teórico sistematizado e a produção científica.
Para tanto, conta com salas de atendimento equipadas de acordo com as especificidades da prática da psicoterapia de crianças e pais, adolescentes e adultos e com recursos didático-pedagógicos de uso exclusivo do psicólogo para realização de processos psicodiagnósticos.
O Aprimoramento instrumentaliza para o desenvolvimento de práticas psicoterapêuticas para atender às necessidades da população que nos procura, possibilitando alternativas de atuação em:
Objetivos:
Programação Geral:
1. ATUAÇÃO PRÁTICA no dispositivo terapêutico escolhido
Atendimentos de (no máximo) 2 casos - 02h/s
Carga Horária total de atendimento: 80 horas (MÍNIMO)
Supervisão Clínica semanal, em grupo - 04h/s
Carga Horária total de supervisão: 100 horas (MÍNIMO)
2. PARTICIPAÇÃO EM SEMINÁRIOS DE ESTUDO TEÓRICO
40 horas
3. PESQUISA CLÍNICA – ARTIGO CIENTÍFICO
Trabalho final individual: entrega do artigo
4. PARTICIPAÇÃO NAS JORNADAS DA CLÍNICA:
como OUVINTE 20 horas
como APRESENTADOR 10 horas
Início das Atividades: assim que forma
Término: 12 meses após inicio da turma
Vagas: 04 por turma
Público Alvo: Psicólogos Graduados e alunos de psicologia de 10º semestre
Carga Horária: 250 horas (06 horas semanais: atividades, supervisões).
Modalidades disponível:
Cronograma:
Valores
Documentos necessários:
Captação de Clientes:
Certificado
Após conclusão do aprimoramento e findadas todas as atividades, o psicólogo receberá CERTIFICADO DE CONCLUSÃO, com respectiva carga horária e especificação do serviço realizado.
A interrupção do estágio implicará na não atribuição do Certificado.
O aprimoramento em clínica psicanalítica oferecido pela Fortiori Consultoria em Psicologia inspira-se aberta e livremente no modelo de tripé proposto pela formação em psicanálise desde Freud, ou seja, fundamentado na análise pessoal, no estudo teórico e na supervisão.
Comprometendo-se com estes dois últimos, oferece aos seus candidatos um espaço de aprimoramento e formação que se desdobra em três momentos distintos e complementares. São eles: o estudo teórico dos fundamentos da teoria/clínica psicanalítica, focando em alguns pontos específicos desta a partir da proposta de conteúdo programático feita pelo supervisor/tutor; o atendimento clínico, que, como descrito no projeto geral de aprimoramento profissional, resulta de uma proposta comprometida com a realidade brasileira; e, por fim, a supervisão, que irá se valer dos aportes oferecidos pelo estudo teórico para fundamentar a análise do caso supervisionado.
1. Estudo Teórico.
O estudo teórico consiste numa marca diferencial de nossa proposta de aprimoramento. Ele se faz indispensável, pois consideramos a necessidade de fundamentar nossa prática a partir de uma teoria pertinente. No entanto, dada a amplitude do corpo teórico da psicanálise e o tempo que disponibilizamos como período de aprimoramento em clínica (um ano), vislumbrou-se a necessidade de se estabelecer recortes quanto ao alcance e profundidade deste momento. Como se espera que os fundamentos básicos da teoria psicanalítica sejam de conhecimento dos candidatos ao aprimoramento, a ideia é que cada supervisor/tutor proponha um recorte específico desta teoria para ser aprofundado no momento de estudo teórico, bem como favoreça o aprofundamento dos próprios atendimentos supervisionados. Assim, espera-se propiciar o desenvolvimento de uma base teórica robusta o suficiente para orientar os atendimentos clínicos realizados, bem como fundamentar a produção escrita que consiste num dos momentos deste aprimoramento clínico.
O estudo será em grupos, que serão formados a partir dos próprios grupos de supervisão com quatro integrantes. Cada supervisor/tutor terá a seu encargo propor o conteúdo programático e coordenar as atividades do grupo de estudo. Caso o conteúdo proposto seja do interesse dos membros de outro grupo, a participação destes nos encontros de estudo teórico de interesse é franqueada, o que permite um intercâmbio de participantes, conteúdos, compreensões e experiências que, cremos, enriqueceriam o estudo. E como também a proposta de estudo teórico pode interessar estudantes e profissionais não matriculados no curso de aprimoramento, pode-se assegurar a participação destes como ouvintes mediante pagamento de uma taxa, e cujo critério de seleção precisaria ainda ser definido.
2. A Supervisão
A supervisão dos atendimentos realizados pelos profissionais membros dos grupos de aprimoramento consiste num momento privativo destes. Grupos de quatro membros e mais o supervisor terão uma carga horária semanal destinada aos encontros desta atividade. No entanto, propomos que a formação dos grupos de supervisão obedeça à outra lógica que não apenas a da burocracia (matrícula e distribuição dos membros): a ideia é que se faça incidir a transferência ao supervisor e sua proposta de trabalho. Para isso, propomos que cada supervisor redija um texto apresentando seu percurso, suas afinidades teóricas, bem como, e principalmente, sua proposta de conteúdo programático, de tal maneira que estes tópicos elencados estejam entrelaçados numa proposta de trabalho e estudo. Cremos assim estimular a adesão dos candidatos para além do funcionamento burocrático de um curso regular, incluindo em nosso modus operandi o que é próprio do inconsciente: sua inclinação à transferência numa relação peculiar com o saber.
Uma vez que o(a) candidato(a) seja apresentado(a) às propostas de trabalho e estudo dos supervisores/tutores, fará a escolha com base naquilo que pode ter atravessado o seu próprio desejo. No entanto, assim que o número limite de membros de um grupo estiver sido alcançado, não nos restaria outra alternativa senão voltar à lógica burocrática de demanda por vaga disponível. Mas, como dito acima, a participação deste membro no grupo de estudo que lhe interessou – e que não disporia de mais vagas para as reuniões de supervisão – lhe é assegurada caso seja do seu desejo.
a. Os atendimentos clínicos
Os membros do aprimoramento terão acesso a um (mínimo) ou dois (máximo) atendimentos que serão acompanhados no grupo de supervisão. A demanda será formada a partir da oferta de atendimentos clínicos feita à comunidade. Estima-se que esta possa usufruir do serviço a partir do estabelecimento de um valor simbólico que garanta o comprometimento e a adesão ao tratamento proposto. Os profissionais estarão cientes de que, para eles, o aprimoramento consiste num momento de formação, eximindo-se de qualquer expectativa de lucrar financeiramente com os atendimentos: o valor simbólico a ser pago pelos pacientes será destinado à manutenção do espaço de trabalho, de forma que, aos profissionais, o retorno se dará pela via do saber sobre o inconsciente.
Dito isto, vale ressaltar que nossa proposta de aprimoramento em clínica psicanalítica se inspira no tripé de formação do analista. Com efeito, mais do que ser a via pela qual o desejo do analista se depura, ele também pode servir como molde e ponto de partida de uma proposta de formação complementar. Acima expomos uma proposta que fora, ela mesma, resultado da reflexão empreendida sobre o modelo freudiano de formação, o compromisso com o oferecimento de uma modalidade ensino e extensão de qualidade e uma opção ético - política de oferecer à comunidade o acesso a um serviço comprometido com o propósito da psicanálise sucintamente descrito por Freud numa carta a Oskar Pfister datada de 09 de Janeiro de 1909: “ser utilizada para a libertação daqueles que sofrem”.
Apresentação de Supervisor
Carolina Miralha
Formada em Psicologia pela Universidade da Amazônia em 2006. Membro- aluna da turma permanente do Corpo Freudiano – Escola de Psicanálise Seção Belém/PA. Mestranda em Psicanálise pela Universidad John Kennedy em Buenos Aires / AR. Tem experiência em Psicologia Clínica e Organizacional. Atualmente, exerce ofício em consultório particular, na área de teoria e clínica psicanalítica.
Proposta de Aprimoramento
“O paciente nunca se esquece novamente do que experimentou sob as formas de análise”.
(S. Freud)
“É de meus analisandos que aprendo tudo, que aprendo o que é psicanálise”.
(J. Lacan)
O móbil principal de nossos seminários encontra-se em retomar os fundamentos da psicanálise para resgatar a ética inerente à prática analítica.
Essa troca entre analistas deve ser feita de modo sistemático, contínuo, em que um saber se constrói à medida que certas questões são simbolizadas por eles. Por isso, a importância das escolas de psicanálise, cartéis, seminários, grupos de estudo, e também simpósios, congressos, jornadas, são todos atividades que fornecem ocasião para esse trabalho de construção conjunta.
A natureza dessa produção teórica é bastante particular: requer dos aprendizes uma abertura sem a qual a teoria se esteriliza recoberta pelo manto de dogmas.
Desta forma, nosso empreendimento intelectual nos seminários teóricos com 1 encontro mensal de 4 (quatro) horas aula, será analisar, de forma a transitar entre os membros, a obra de Marco Antonio Coutinho Jorge: Fundamentos da Psicanálise
- De Freud a Lacan – Volume 3: A prática analítica, que será dividido da seguinte forma:
Temáticas:
O poder da palavra
O método psicanalítico
I Fórum Internacional de Novas Abordagens em Saúde Mental
O ciclo da técnica
O desejo do analista
A ética do desejo
A direção da análise
Da angústia ao desejo
Luto e culpa/ Reinventar a prática
O lugar do analista/ O desejo de despertar
Apresentação de Supervisor
Alan Souza Lima
Formado em psicologia pela Universidade da Amazônia, mestre em psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFPA, tendo participado do Programa de Cooperação Discente com o Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica da UFRJ. Atua como psicanalista na Fortiori Consultoria em Psicologia e como psicólogo clínico no projeto de extensão “Clínica de Psicologia: um olhar em atenção à saúde do estudante” da UFPA.
Proposta de Aprimoramento
Na intimidade de uma troca de cartas entre amigos, Freud confidenciou a Pfister que concebia a análise como um método a ser utilizado “para a libertação daqueles que sofrem”. Também sabe-se que Lacan condicionava a aceitação de novos analisantes a um critério muito simples: a presença inarredável de um sofrimento – um sintoma – do qual o sujeito quer se livrar.
A partir destas duas posições muito particulares, pode-se concluir que o compromisso primeiro da análise não é o compromisso consigo mesma, com seus feitos e possibilidades – numa auto exaltação narcísica que corrói a disciplina – e tampouco com o clínico que a pratica- um contra testemunho de sua própria posição tão deletério ao exercício da análise- mas, primeiro e acima de tudo, com os sujeitos que a ela recorrem em sofrimento. Uma vez que isto é dito, é inevitável que se conceba a psicanálise como um meio, e não como um fim em si mesma.
Tem sido esta atitude que tenho nutrido em meu trabalho como clínico desde que iniciei esta prática. A iniciação na experiência analítica se deu bem antes, ainda na condição de paciente, e o sustento de minha condição de analista decorre da disponibilidade de escuta, da busca pela intervenção suficiente e da recusa de qualquer ênfase sobre a “performance” em detrimento do estilo, bem como do prazer dos livros e do saber possível que deles se depura, e, antes da mais nada, da insistência à maneira do inconsciente – que conforme Lacan ensina, não resiste, mas insiste – de bem-dizer o meu desejo, no confrontação de meus sofrimentos que a ele fazem obstáculo.
Com efeito, ao ser convocado a contribuir com a proposta de aprimoramento em clínica psicanalítica da Fortiori, nada antes me ocorreu que não tenha sido a contraproposta de transmitir uma psicanálise humana. Não que a proposta em questão tenha sido feita em termos que a “desumanizam”, mas que a contraproposta também em questão se faz em termos que se contrapõem a uma certa “sacralização” da análise, vista como um fim em si mesma e matéria de alguns poucos. Decorre de tal atitude, então, uma série de mesuras que funcionaram à guisa de senhas para uma aproximação fortuita e “perigosa”.
Ao contrário, a psicanálise que penso ter aprendido a partir de Freud é cotidiana e leiga, acessível e democrática, popularmente lírica e maravilhosamente limitada (não é remédio para todos os males). E penso também que Freud fora generoso o bastante para não fazer da análise um “assunto nacional judaico”, e tampouco fazê- la pertencer a uma casta intelectual, disciplina e propriedade desta ou daquela associação ou escola, deste ou daquele grupo ou movimento. Ora, a psicanálise pertence a todos estes, mas também pertence àqueles que, com rigor teórico e clínico, desejam e possam lançar mão dela para o alívio daqueles que sofrem, pois não é um fim em si mesma.
Frente a isto, coube-me elaborar, no rastro de minha contraproposta, um programa de estudos a fim de complementar o exercício de aprimoramento – termo institucional, porém não menos oportuno, já que supõe a preexistência de um material a ser melhorado e otimizado, logo, não se parte do zero. Meu programa consiste numa proposta de trabalho, pois supõe uma lógica contrária ao ensino pronto e acabado. Trabalhar conceitos e fazer os conceitos trabalharem, eis a proposta que faço. Se Freud pôde teorizar na medida exata do que sua clínica necessitava – sem excessos e arroubos – foi porque fora capaz de extrair de sua experiência o essencial a ser elaborado. E dentre os aspectos essenciais a serem elaborados conceitualmente na práxis psicanalítica, repetição e transferência serão sempre “palpáveis” o suficiente para exigir do analista rigor teórico e fluidez clínica. Não à toa Lacan considerá-las como dois dos conceitos fundamentais em psicanálise.
Repetição e transferência conjugam o fantasístico e o pulsional no próprio acontecer analítico, de modo a consistiram naquilo que o analista maneja rumo ao desejo. A transferência é esta cena inconsciente que supõe um escript e um roteiro, encenação do drama edipiano do sujeito. A repetição é esta “força” que arrasta rumo ao “menor esforço” de um gozo que, em última instância, remete ao obsceno do supereu (conceito para o qual centrei meus esforços – clínico e teórico – nos últimos anos). Por isso, considerei tais construções como sendo razoáveis ao trabalho que iremos desenvolver ao longo dos próximos meses com vistas à clínica daqueles que irão recorrer a nós. Tal trabalho se realizará na forma de encontros quinzenais nos quais os textos fundantes e fundamentais sobre os temas serão abordados em grupo. A compreensão de tais textos e as elaborações conceituais correspondentes terão a marca do trabalho contínuo de aprimoramento, pois sabemos que a experiência oriunda da clínica, ainda que balizada por uma teoria que prima pelo rigor – jamais se esgota na meticulosidade de nosso anseio por saber.
Unidade I - Entrevistas preliminares e transferência
Unidade II - Pulsão de morte, supereu e repetição em Freud
Unidade III - Repetir e elaborar
Unidade IV - Repetição e Transferência em Lacan
Unidade V - Pulsão de morte, supereu e gozo em Lacan
Unidade VI - Produção escrita: arquivo, registro e legado